domingo, 1 de maio de 2011

Longa vida ao Sarau


"nada rima com nada
mesmo assim eu publico
apesar da incerteza
nem assim eu desisto
e apesar dos pesares, eu sonho contigo
e apesar dos altares, sempre me intimido..."

[Versos - Janete Flores]


Me trouxe honra o convite para participar da X edição do Sarau Poético Musical.
Registro meu carinho e meu apoio à equipe que tem se empenhado em tornar o projeto cada vez mais vivo, integrando diferentes pessoas que possuem - de alguma maneira - uma relação passional ou profissional com a arte.

Perceber que parte do início do projeto teve inspiração em um espaço reservado para a literatura no Programa Navegando RádioCom, lá, há anos atrás, me passa uma sensação de "valeu a pena" começar algo involuntariamente sem ter noção do alcance e de pessoas esforçadas que espontaneamente se uniram para tornar a arte mais viva e inclusiva nessa cidade.

Hoje vendo o Sarau com sua peculiar identidade, caminhando e sendo expressado como um passo de expansão, externidade e agregação, me faz declarar a competência de Daniel Moreira e sua equipe. Longa vida, companheiros, longa vida!


Nessa penúltima edição [antecedendo o aniversário de 1 ano de Sarau], tive ao meu lado Gustavo Arruda, Luis Felipe Ribeiro e a compositora, cantora e artista plástica Janete Flores.

Com destaque ao escritor Esteban Echeverría, Sergio Christino, com grande propriedade, trouxe conhecimentos do autor, destacando o conto "El Matadero", apontado por muitos, como o primeiro conto genuinamente argentino.

" Segundo as normas da Teoria literária, outros alegam não ser a primeira prosa argentina porque só foi publicado postumamente, em 1871 ( por Juan María Gutiérres, amigo do poeta), embora seja incontestável que Echeverría escreveu El Matadero quase uma década antes da publicação do Facundo, civilização e barbárie, em 1845, de Sarmiento, esta obra que é tida como a inaugural da prosa argentina. Ainda do ponto de vista do estilo literário, El Matadero vai erigir outra esfinge; embora Esteban Echeverría seja tido como o primeiro poeta romântico argentino, esta peça pode ser vista como prenunciadora do realismo, até mesmo avant la lettre de um realismo naturalista de um Emile Zola (1840-1902). Muito bem, mas o aspecto mítico que se quer aqui destacar é o de ter tratado, mediante um discurso estético espetacular, a questão do par a barbárie X civilização, que permeia toda a história política argentina, que, como se sabe, é marcada pela oposição entre federalistas e unitários. Argentina recém liberta do jugo colonial espanhol, qual seria sua nova condição política. "

Leia na íntegra o que Sergio Christino contextualizou,
AQUI:


[Convidados e organização do Sarau]

6 comentários:

Janete Flores disse...

Quanta honra senti compondo esse Sarau com vocês. Foi automático reviver ali, momentos de 30 anos passados, quando ouvi alguém dizer um poema de "Ferreira" que carrego ainda hoje cravado qual um Salmo, e na minha simplicidade recorro a ele agora para reafirmar que na vida como na arte, que para mim é um estado efervescente de embriaguez: Vale sim a pena, embora o pão seja caro e a liberdade pequena. Vida longa ao Sarau Poético!
Que a poesia nos ajude a descobrir para onde ir e o que desejar, que ela possa alimentar nossos sonhos, contar nossas histórias, e dar de beber ao menino poeta bipolar tão sedento de amor!
Janete Flores

Ediane Oliveira disse...

Jan, foi um momento muito bonito, cheio de poesia, música, intimismo, visceração. Acho que tudo isso se converge.

Que venham mais! E que o nanquim desenhe esses traços de marcas que permanecerão na pele. Que o bico da pena, mais uma vez, grite no papel a expressão que a arte pode causar na humanidade.

Longa vida a esse sede constante...

Míriam disse...

Parabéns, não apenas pela participação que infelizmente não tive oportunidade de ver mas por fazer parte e manter vivo algo tão essencial no cenário cultural da cidade. Poesia e arte as vezes são esquecidas na vida corrida e cinza do século XXI, mas são essas pequenas iniciativas com grandes propositos que mantém a chama viva.
Parabéns e prometo estar no próximo!!

Antônio Queiroz disse...

Você foi incrível e surpreendeu com esse seu jeito doce de ser, mas com palavras fortes que cravam na veia e nos mostram que antagonismos existem nas pessoas mais interessantes! Parabéns! Longa vida!

Jun disse...

o melhor antagonismo! linda e brilhante!!

Claudia disse...

que orgulho tu me dá, di! quanto mais vivo, mais te vejo crescer como ser humano. te amo!