segunda-feira, 9 de maio de 2011

Ainda é tarde

.
O novo é relativo quando penso no velho
O velho é novo
porque a novidade
é também
repetição
de alguma coisa
que, em algum canto desta terra
já aconteceu, aconteceu.

E se o novo é novo pra mim
Pro outro já não é mais.

Eu gosto do velho porque vivo de lembranças
que vêm
que crio
que matam
maltratam
que alimento
que destruo
em distúrbio
insensato

por talvez nem ter vivido.

10 comentários:

Daniel disse...

cada vez melhor, hein patroa?!

gui disse...

Di,

Não é como se eu vá te dizer nunca: "Este texto está ruim".

Creio que manter um nível não é um requisito essencial e, mesmo em alguns textos que julgamos terríveis, há um investimento super-humano.

Não sei se me farei entender corretamente, mas eu gosto dos teus textos pela forma como tu te coloca neles ou como tu os coloca. Tem gente que avalia a pertinência das questões tratadas. Diz-se que a literatura medra na crise de noções fundamentais: sujeito, realidade, essas coisas. As obras consideradas "mais relevantes" parecem tratar disso.

Mas, tem gente que nada sabe disso, mas sabe escrever sobre uma flor. E escreve de um jeito que o mundo vira aquela flor e aquela flor vira o mundo. Nesse sentido, como eu entendo, o texto é uma dupla obsessão: é algo que persegue a pessoa e que a pessoa persegue de volta.

Para mim, o texto é um pouco disso: perseguir aquilo que te persegue, ver-se perseguido por algo e lutar com todas as forças contra esse algo — a luta ainda é maior para dominar isso em palavras e arranjos.

Mas aí entra um grande problema: Quanto tu falas para alguém algo como "Não curti este texto", isso é equivale a dizer "Isso que tu persegue não me afeta" ou, sendo mais radical, "O que tu é não me interessa" e, assim, o que seria uma incompatibilidade de gosto vira um injúria pessoal. Isso sim é incompreensível e desolador.

Essa é minha resposta. Desculpa ela ser complicada, mas gosto muito de ti e gosto muito dos teus textos. Na forma como vejo, essas duas ideias são inseparáveis.

Ediane Oliveira disse...

Gui, não foi nada complicada. Foi forte, como tanta coisa que recebo de ti durante esse tempo todo. E o quanto eu prezo toda essa força escrita na inquietude dos teus olhos. Quero que ela permaneça próxima.

Não tenho e não colocarei palavras aqui pra expressar que o fato de enxergares simplicidade e honestidade no que escrevo, me deixa em uma zona de conforto. Por fim, me motivo e me salto a permanecer sem pretensões, mas com tanta imensidão de vontade... que às vezes me entrego tanto...

Um beijo.

Rafael B. disse...

Guilherme, concordo com vc. Mui bom!
Existem pessoas que somos até suspeitos pra falar algo, gosto do jeito como a di escreve e é estranhão julgar textos alheios pq são pessoais.

"Para mim, o texto é um pouco disso: perseguir aquilo que te persegue, ver-se perseguido por algo e lutar com todas as forças contra esse algo".

Disse tudo!

e di, parabéns mais uma vez por tudo e pelo que virá! "bêrro".

Aleksander Aguilar disse...

Nao se escreve só o que se é. Nao gostar de um texto nao é nao gostar do seu autor. De todo modo, esse é um dos melhores textos (com literariedade strictu sensu)que fizeste.
um beijo

Luciane Albuquerque disse...

Di parei aqui depois de admirar o poema de vinicius la em cima, mas vendo a continuidade de tua produçao, nao me resta dizer outra coisa alem de que estás crescendo muito na escrita. Lembro do nosso tempo no pelotense e da tua paixao pela literatura,do teu texto na formatura, do teu monologo do assessorista no livro, lembro do quanto nosso grupo aprendeu ctg q vale a pena ir atras do q a gente gosta de fazer.
Tu cresceu mto, negrinha. E esse texto ta de uma categoria massa!!!!

Saudades, Lu.

Jun disse...

nao entendi mto bem o comentario do guilherme, mas minha opiniao é que nao se deve limitar o que está sendo posto por outra pessoa. Ha de se gostar ou nao. Eu gostei mto especialmente desse pela confusao q tu causa no leitor ao ponto de ele se encontrar! beijo pra mulher mais linda.

Mih Rosa disse...

Bom, sobre a discussão no geral,acredito que certos tipos de textos são viscerais demais para serem separados do autor. Quem escreve coloca tanto de si mesmo que é impossivel separá-lo do que ele escreve. Pra mim a Di faz exatamente isso, se funde e se mescla ao que escreve com tanto sentimento. Gosto muito dos textos, provavelmente por entendê-los e exergá-los da mesma forma que entendo e enxergo a pessoa que os escreve. Parabéns Di.

Camis disse...

Um autor interpreta vários papeis ao longo da vida, ele pode ser ele ou nao, pode ser o resto do mundo sem necessariamente ser ele mesmo!

Di, seja vc ou nao seja, mas nao pare de escrever. BJO, adorei o SENSITIVUS!!! voltasse com os nomes que usavas nos tempos de michigan! uhuuu

Ediane Oliveira disse...

Amigos,
que surpresa essa interação toda! Gosto quando isso acontece pois um blog [ou seja lá o que for] nunca é sozinho. E é incrível o quanto a quantidade de participação gera mais ainda a participação de outras pessoas, o que enriquece e muito no debate, sem dúvida.

E devo dizer que a escrita - além de uma representação nossa [em alguns ou vários momentos], é também, uma voz alheia, é um grito de algo que não somos e talvez nunca sejamos. E esse também é um dos grandes baratos da arte! É poder ter liberdade.

Concordo plenamente quando não devemos limitar. Ainda mais as palavras e os sentimentos.Eu não me limito e por muitas vezes começo algo sem saber onde tudo aquilo vai parar.

Um beijo em todos vocês. E que esses espaços aqui no blog possam incitá-los a sugestões, críticas, ideias, contribuições e o que quiserem.

Um salve para a interação!