Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

domingo, 11 de dezembro de 2011

Hip Hop em Pelotas: Sobre dias bons e noites ruins

.
No Dia da Consciência Negra, Pelotas recebeu um dos maiores eventos culturais de 2011: Hip Hop Representa. O local trazia a estética de uma velha renovada Pelotas, com suas paredes envelhecidas, na antiga Estação Férrea, - um dos locais onde os negros antigamente nem chegavam.

Palco pronto, periferia no centro, música e palavras durante o dia todo. Pelos lados e cantos, rostos velhos e novos: Jair Brown, Gagui IDV, Banca CNR, Contra Regra, Guerreiros de Mente Aberta. Palco e platéia eram um só.

A noite teve a participação, 'vinda do Planalto Central', de GOG.


Genival Oliveira Gonçalves é percursor do movimento no final dos anos 80, em Brasilia. Com envolvimento em movimentos sociais como o MST e projetos pessoais na área da educação, Gog tem a língua afiada e com seus poemas longos de protesto exprime absurdos sociais, alivia indignações como porta-voz e motiva a entender que o que está diante dos nossos olhos é tão urgente quanto nossa necessidade de viver.

Video – Coletivo Rede:

---

E pese a pauta ‘hip hop’, impossível não lamentar o episódio no mínimo desconfortável que aconteceu ontem (link também AQUI) com a produção do show do Emicida na cidade. Depois de um 20 de novembro em paz, Pelotas desconstrói parte do que vem construindo e intensificando. Sim, 2011 foi um dos anos emblemáticos para o movimento hip hop. Depois de tanta resistência, picuinha, periferia contra periferia e motivações pessoais, finalmente algum avanço se teve neste ano: Discussão da Lei de Incentivo à Semana do movimento, audiências massivas, gravações de discos e clipes, envolvimento com a região sul e eventos unificados.

Como testemunha do crescimento que vi neste último ano, encerro dezembro com um pouco de esmorecimento depois da violência de ontem. E não falo apenas de 'empurra-empurra', tensão e batidas corporais. Falo da ausência de cautela a algo que deveria ser mais sério, considerado e pesado por ambos os lados.

Meu desejo, como pelotense e representante da imprensa cultural é que possamos parar e refletir sobre a história representativa na cidade. A cultura hip hop não deve servir para o enobrecimento pessoal, mercadológico e hipócrita daqueles que se dizem ‘representantes’ de um movimento que nasceu com a motivação de agregar e transformar a realidade.

Para encerrar, esperando um 2012 mais maduro para o movimento cultural, ainda que reconhecendo seu esforço, fico com as palavras de Gagui: “Ou a gente devolve o hip hop pro povo, ou o povo vai abrir mão de lutar pela causa.”

domingo, 29 de maio de 2011

Piquenique na Praça da Alfândega

Amanhã, domingo (29) acontece mais uma edição do Piquenique Cultural.


Clique AQUI e confira o vídeo da entrevista que cedi ao Programa Universo In Foco sobre a participação da RádioCom como apoiadora do evento.
.

domingo, 22 de maio de 2011

Catástrofe cultural: Jornais do século XIX viram lixo em Pelotas

De acordo com a professora Beatriz Loner, há pouco mais de 15 dias, a cidade de Pelotas, que até agora tinha se caracterizado por buscar a preservação de sua história e sua cultura, foi palco de uma situação completamente absurda e injustificável: a direção de sua biblioteca pública, que é gerida por uma associação privada, simplesmente enviou para reciclagem, uma parte importante da história da cidade e da região!

Livros, jornais, diários e mais monografias e documentos impressos (não se sabe exatamente o total do que foi descartado, nem quem definiu o que seria jogado fora), mas o suficiente para encher mais de um caminhão pequeno, foi enviado para recicladores. E só não foi parar no lixo mesmo porque, num episódio rocambolesco e pouco explicado, foi “salvo” por um dono de sebo, que imediatamente o comprou e o pôs a venda como uma mercadoria qualquer. Alguns desses exemplares ainda se encontram em sebos da cidade e podem ser conferidos até pelo twitter de alguns pelotenses. Seguramente, este dono de sebo deve ter ampliado seu patrimônio em muito, devido apenas ao que, pelo alto, se soube que foi descartado.

Entre eles, por exemplo, uma das únicas, senão a única coleção do jornal A Federação do ano de 1904. Vários outros anos inteiros deste jornal também foram literalmente jogados fora, sob a justificativa de “estarem duplicados”.

Mas a catástrofe cultural vai muito além, pois todos os jornais encadernados, que eram duplos, e que se encontravam no porão da biblioteca, como os jornais Correio Mercantil, Opinião Pública, Diário Popular, também tiveram o mesmo fim. Estes são alguns dos jornais pelotenses mais importantes do XIX e XX séculos, e ficamos agora reduzidos apenas a sua coleção em uso, e cuja digitalização tem sido protelada por interferência direta da própria diretoria. E o que se fará quando estes jornais, pelo uso, se desmancharem?

O raciocínio simplista e redutor de que “eram duplos” e poderiam ser descartados, não convence ninguém, pois todos podem se perguntar por que não foram trocados com instituições congêneres, ou doados para uma outra instituição do estado, como reza seu estatuto de 1991, que em seu artigo segundo, item b, diz que a biblioteca “poderá permutar livros e objetos com outras instituições que estejam de acordo com as suas finalidades”.Quanto a alguns estarem em mau estado, ora, para quem conhece, sabe que há várias técnicas de recuperação de documentos que poderiam ser tentadas, com um pouco de esforço na busca de financiamento.

Esta lamentavel e vergonhosa informação, além de denunciar o fato, pretende provocar alguma reação, por parte não só da comunidade técnica e acadêmica interessada na preservação da história do país, mas dos próprios pelotenses, que até agora estão assistindo esta situação estupefatos, mas em silêncio. Um silêncio que pode passar por aprovação e gerar a reincidência deste tipo de atitude.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sete de Abril: De portas fechadas!


Nosso “Sete” de portas fechadas. Há tanto tempo.
E a arte acontecendo, pelos cantos, mas precisando cada vez mais de espaços PÚBLICOS.

Precisando encenar, criar, aparecer, definitivamente, por vários lados.

Onde está o nosso teatro?
Ele permanece vazio, sem cena, sem gente, sem nada.


Audiência pública pelo Theatro Sete de Abril ABRIR.

Participe!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sobre a Conferência Cultura Para o Rio Grande Crescer


Para falar da Conferência Estadual de Cultura, dois sentimentos sobressaem em mim. O primeiro é de decepção com a falta de apoio e incentivo da Secretaria de Cultura da minha cidade. E o segundo é de esperança que tudo o que foi falado, discutido e sistematizado em Santa Maria, possa ser, finalmente, concretizado, gradativamente, sem apenas ficar no papel e na memória daqueles que discutiram e/ou que buscam mudanças.

Como explicar que, uma cidade como Pelotas, em que a produção cultural tem crescido e alguns ativistas têm buscado uma unificação de forças para ver o negócio acontecer, obteve uma representação baixíssima, quase unitária em uma conferência importante de encaminhamentos e diálogos relacionados às políticas culturais no Rio Grande do Sul?

Àqueles que não estavam por dentro do processo: Pelotas iria com um ônibus, cedido pela Secult, para levar as matrizes decididas no Diálogos Culturais, pré encontro que funcionou como etapa regional, acontecido na Câmara dos Vereadores, no último dia 23.

E o que aconteceu? Pelotas não foi. Nos 45 do segundo tempo, eu recebo a informação, através de minha própria ilusão em me dirigir ao local combinado para a ida. Sem ônibus. Sem pessoas. Secretaria sem respostas. Acabei arcando com minha viagem, minha hospedagem e presença na Conferência – sem representação pelotense comigo. E aí preciso declarar minha grande insatisfação e repúdio à desorganização e ausência de atenção do governo municipal ao debate da cultura. Lamentável.

Foi revigorante ver companheiros da região sul lá presentes, entretanto, causa um certo desconforto e esmorecimento ver minha cidade – que é tão grande e merece destacar tantas reivindicações a partir de sua atual realidade – ausente nas discussões. Mas ok, eu estava lá e não quero, de forma alguma, desmerecer meu esforço e minha presença. Entretanto, mesmo que eu discorde do ditado de que “uma andorinha não faz verão”, (ela pode fazer sim!) Preciso dizer que, ainda assim, senti falta de pessoas que poderiam estar presentes nessa etapa em que o estado caminha para uma nova visão de enxergar os processos e as potencialidades culturais.

Foi um evento de fôlego, com representações do Conselho Estadual de Cultura, de deputados estaduais, federais, MinC e governo do Estado. E é notório que necessitamos avançar nas políticas públicas – atualmente atrasadas e um tanto estagnadas, mas com anseios de novos caminhos e avanços.

A democratização que envolve princípios de cidadania para uma sociedade que deve buscar um sistema mais justo das manifestações populares, também foi pauta, já no primeiro dia, o que me deixou com os olhos vivos, buscando, no final, um depoimento do Secretário de Estado da Cultura, Assis Brasil, sobretudo a esse tema. Segundo ele, a ação de buscar não limitar o acesso, mas aumentar a participação e consolidar a profunda interação entre sociedade e estado é a forma mais forte de conscientizar a cidadania que traz desenvolvimento. Vamos torcer para que – de fato – nosso governo venha a enxergar as camadas populares como potencialidades culturais e que haja inclusão social e valorização, acima de tudo.

O segundo dia foi marcado por debates e participação de plenárias para a construção da base do Plano Estadual de Cultura com a criação dos Colegiados Setoriais, uma das grandes apostas do evento. A busca por uma relação mais direta com participação maior de entidades e adaptações às diferentes vertentes que a cultura agrega. Além disso, a burocratização e a dificuldade dos processos de editais para a produção cultural, também foi vista como um pedido de cursos de gestão cultural. O que na minha opinião, é de extrema importância, pois falta capacitação para agentes, a partir da realidade de que sobra verba para editais que não são liberados "por causa do amadorismo nas inscriçoes". A burocracia não pode e não deve vencer as ações práticas. Que haja capacitação!

Com tema na Cidadania Cultutal, a coordenadora da Jornada de Literatura de Passo Fundo, Tani Rösing, abordou uma questão interessante que é o uso da tecnologia como forte instrumento da cultura e inclusão cidadã. Na busca de conhecimentos da cadeia produtiva do setor cultural, houve o debate sobre a economia da cultura em que o professor de economia da UFRGS Leandro Valiati destacou como ferramenta estratégica na atuação e no desenvolvimento, vendo a cultura como fonte de renda, diminuição do desemprego e construtora social.

A entrada de muitos novos pontos de cultura no nosso estado é algo que há de se reconhecer, diante de um processo em que vínhamos tendo nos últimos anos, com cortes e muito descaso com os resgates que os pontos e outras ações podem desenvolver conhecimento e transformações. Foi interessante ver que nosso estado foi contemplado com diferentes novos polos, com uma diversidade necessária.

Que venham boas novas a partir de então.
Que nosso Rio Grande do Sul tenha uma cara menos cinzenta,
mas mais viva, como sua história deve ser.

Um salve às manifestações culturais!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Conferência Estadual de Cultura


Vou amanhã (29) para Santa Maria/RS, onde fico até sábado para participar da Conferência Cultura Para o Rio Grande Crescer, evento que buscará a participação de representantes da cultura de diversos cantos do estado para encaminhamentos (e são muitos) relacionados às políticas culturais no Rio Grande do Sul.

No último sábado (23), Pelotas sediou o “Diálogos Culturais” na Câmara dos Vereadores, onde expressou-se como um pré-encontro da Conferência Estadual, sendo já mapeadas algumas questões urgenciais para a discussão em Santa Maria, a partir de amanhã.

A Conferência Estadual terá a participação do Secretário Estadual de Cultura, Luiz Antônio de Assis Brasil, e, através das diferentes mesas de debates, o encontro buscará avançar na formulação do Sistema e do Plano Estadual de Cultura, nas áreas de artes cênicas, artes visuais, audiovisual, cidadania cultural, culturas populares, economia da cultura, livro leitura e literatura, Memória e Patrimônio e música.

O último governo deixou nosso estado à beira do abismo em diversos setores. A cultura acabou sofrendo com perdas e retrocessos nas tantas demandas que sempre possuiu. Cortes excessivos e falta de apoio. Um desastre.

Espero – esperançosamente, com a ambigüidade que o termo possui, que eu possa voltar com alguns protótipos de avanço para a realidade cultural, principalmente no que diz respeito ao incentivo da interlocução direta do Estado com a sociedade civil e as organizações alternativas e comunitárias, buscando a construção de colegiados setoriais para as diferentes áreas da cultura.

Confira a programação clicando na imagem abaixo: