Se ando cheio, me dilua.
Se estou no meio, conclua.
Se perco o freio, me obstrua. Se me arruinei, reconstrua.
Se sou um fruto, me roa.
Se viro um muro, me rua. Se te machuco, me doa.
Se sou futuro, evolua.
Você que me continua.
Você que me continua.
Você que me continua.
Se eu não crescer, me destrua.
Se eu obcecar, me distraia.
Se me ganhar, distribua.
Se me perder, subtraia.
Se estou no céu, me abençõe. Se eu sou seu, me possua.
Se dou um duro, me sue.
Se sou tão puro, polua.
Você que me continua.
Você que me continua.
Você que me continua.
Se sou voraz, me sacie.
Se for demais, atenue.
Se fico atrás, assobie.
Se estou em paz, tumultue. Se eu agonio, me alivie.
Se me entedio, me dê rua.
Se te bloqueio, desvie. Se dou recheio, usufrua.
Você que me continua.
Você que me continua.
Você que me continua.
As mãos que hoje estão livres, que retumbam distante o som inconfundível do pampa gaúcho, são as mesmas que há séculos foram retiradas de seus lares em algum lugar de uma África distante e que construíram a suor e muito sangue as riquezas e o imaginário que nunca lhes pertenceram. Histórias de dor e amor fazem parte do disco gravado ao vivo por Dudu Freda, contando cenas nascidas na África com desenrolar em Pelotas, nos tempos das Charqueadas e nos dias atuais.
Salve essa ousadia, salve o suingue, a malandragem cativante,
a poesia, a marginalidade, as cores, a visceralidade...
salve essa sua coisa tão retrô-saudosa-moderna-eterna...
Salve Itamar! Salve os negos ditos desse país!
sua mão fechada sua boca aberta seu peito deserto, sua mão parada, lacrada, selada, molhada de medo.
E eu inda sou bem moço pra tanta tristeza. Deixemos de coisas, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida, e nos arrasta moço sem ter visto a vida ou coisa parecida aparecida.
Espaço dedicado ao compartilhamento de arte, debates, ideias e manifestações humanas.
Que a sensibilidade nos mostre a morte que temos feito de nós, humanos que somos, caçadores de esconderijos.
Que a sensibilidade nos aproxime, do nosso próprio ser, antes de mais nada.
... eu imaginei quando por trás de mim o mundo acontecia. Tão perto. Íntimo. E frio como gelo que não derrete.
As folhas estavam agitadas pelo frio seco e ensinavam um novo caminho distraído, mas inquieto. Quis voltar e partir para o inverso daquilo que planejei. Mas os planos já estavam feitos. Segui pela sonoridade que o coração insistia em lembrar. Lembrei do mundo real. Sangrento, solitário, barulhento e indiferente.
Pai, até quando vamos continuar nos enganando? As cenas estão distantes. Estragamos tudo. Deixamos para depois o que deveríamos ter vencido inicialmente. Perdemos por nossa causa. Intercalamos as atividades, jogamos para o mar a sensibilidade do nosso corpo, do nosso ser... E continuamos buscando nos encontrar. No vão da nossa alma.