sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cartas para Pedro II

Pedro, tu viestes!


Ainda não nos encontramos, Pedro.
Mas hoje, acordei mais feliz por saber que foi o dia da tua chegada.
E sorri ao ver teu rostinho. Ao te ver nos braços dos teus pais.

Daqui uns anos, minhas cartas serão lidas.
E eu irei te lembrar do que estou sentindo.

Bem-vindo a este mundo.

Um beijo.
Di.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Afram [G3]


Juninho Afram é, sem dúvida alguma, um dos guitarristas mais autênticos que eu pude conhecer. Não apenas por ser considerado por tantas vezes o melhor do Brasil e um dos melhores do mundo, mas por toda sua representação. Ouço desde criança (criança mesmo) pela influência que a Oficina G3 sempre me causou. Assisti ao vivo a banda umas cinco vezes. E é sempre uma grande boa surpresa. As fases, o amadurecimento, a firmeza, a sonoridade, a luz e principalmente a ousadia no “experimentar” em cada trabalho novo.

Tudo isso me faz relembrar algo que, para mim, significa bastante: a primeira entrevista que fiz na vida foi com a banda. Aquelas tentativas que dão muito certo e que a gente jamais se arrepende. Primeiro mês de faculdade. Pelotas. Março de 2006. A simplicidade de cada um. A sintonia de ideias. A livre segurança que me passaram. A diversidade de cada integrante. E uma "palhinha" no meio da conversa para trazer pra sempre comigo, o som frenético da Tagima do Juninho.


[Assim que eu conseguir resgatar o material e passar para mp3, postarei aqui a entrevista, na íntegra. Por enquanto, vai um solo clássico - do dvd O Tempo - que retrata um pouco o porquê do meu respeito]:



Good times...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Contra o tempo, ao mesmo tempo.


Nada no lugar,
let it be, deixe estar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Que o espelho reflita em meu rosto...



um doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância.

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Meu país elegeu a primeira mulher para a Presidência da República


A maioria do meu país optou pela continuação de um governo – pesem as falhas – mas que entre os anos de 2003 e 2008, somou 21 milhões de brasileiros que deixaram a miséria e outros 32 milhões que ascenderam à classe média.

Meu país reconheceu o cuidado mais humano que essa terra vivenciou nos últimos anos e resolveu que é preferível continuar aumentando o sistema educacional público, onde, muitos jovens tiveram a oportunidade de cursar uma universidade particular. Eu sou fruto dessa geração.

E sim, reconheço muitas contradições nas políticas dos últimos tempos. Eu, como declaradora da esquerda, dos movimentos populares sociais e da luta contra a “dominação hegemônica” , sei do quanto ainda precisamos avançar. Não só em índices. Mas em qualidades. Conceitos. Afirmações. Lugares de falas. Reconhecimentos. Prioridades. Humanismos. E principalmente construções sociais.

Torço para que o meu país diverso, bonito e guerreiro, o meu Brasil que, nas palavras de Chico Buarque, “não mais falou fino com Washington, nem grosso com a Bolívia”, continue sendo reconhecido no exterior como terra de pessoas simples, mas orgulhosas de uma realidade já diferente de décadas atrás. E que, acima de tudo, seja reconhecido pela sua própria gente, como um País forte, que não perdeu a esperança. E que precisa voar.

Impossível não destacar “Novo tempo”. Canção que me enche de força. E própria para o momento.



Composição: Ivan Lins / Vitor Martins

No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer.
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver.

Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer.

No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer.

No novo tempo, apesar dos perigos...

domingo, 31 de outubro de 2010

Poema negro

Para iludir minha desgraça, estudo.
Intimamente sei que não me iludo.
Para onde vou (o mundo inteiro o nota)
Nos meus olhares fúnebres, carrego
A indiferença estúpida de um cego
E o ar indolente de um chinês idiota!

A passagem dos séculos me assombra.
Para onde irá correndo minha sombra
Nesse cavalo de eletricidade?!
Caminho, e a mim pergunto, na vertigem:
— Quem sou? Para onde vou? Qual minha origem?
E parece-me um sonho a realidade.

(...)

Dorme a casa. O céu dorme. A árvore dorme.
Eu, somente eu, com a minha dor enorme
Os olhos ensangüento na vigília!
E observo, enquanto o horror me corta a fala,
O aspecto sepulcral da austera sala
E a impassibilidade da mobília.

Meu coração, como um cristal,
Se quebre o termômetro, negue minha febre,
Torne-se gelo o sangue que me abrasa,
E eu me converta na cegonha triste
Que das ruínas duma casa assiste
Ao desmoronamento de outra casa!

Ao terminar este sentido poema
Onde vazei a minha dor suprema
Tenho os olhos em lágrimas imersos...
Rola-me na cabeça o cérebro oco.
Por ventura, meu Deus, estarei louco?!
Daqui por diante não farei mais versos.

[Augusto dos Anjos]

sábado, 30 de outubro de 2010

Mundo Livre


Um dos movimentos que mais me chama a atenção na história da cultura brasileira, é o manguebeat. Surgido em Recife, na década de 90, com a particularidade da música regionalista somada ao maracatu, rock psicodélico, funk e cositas mas.
Um movimento que vai além da música, pois traz na sua conjuntura, um cunho social contestador, produzindo uma nova concepção do movimento cultural no Brasil. Algo no melhor sentido do "fora do eixo".

Dentre diversas bandas que se destacaram, (em breve falarei com mais detalhes e contextualizações sobre o movimento) a partir de Chico Science, não resisto em não falar da visceral Mundo Livre S/A.



São vários os aspectos positivos que encontro na banda. A contestação social. A valorização regional, ainda que não linear, pois vem carregada de diversidades, o que torna o mangue muito interessante. A musicalidade peculiar. E a poesia. Atraente.

Gosto desse lirismo marginal.
Essa ousadia simples nos versos.
Traz "realidade."

Essa música "Meu esquema" é um dos exemplos.


Me conquista.