A música é uma das sensações que mais sinto. Pela poesia que me envolve. Pelo som que entra dentro do meu corpo como uma catarse cirúrgica. Pelo clamor que há. Pelo seu próprio silêncio, talvez.
Existem algumas que me marcam de forma peculiar. “Naquela mesa” é uma delas. Na década de 70, o compositor e jornalista Sérgio Bittencourt a escreveu em homenagem ao seu pai, o compositor de choro Jacob do Bandolim, que tinha falecido em uma sexta-feira de agosto. Anos depois, seu filho faleceu “do coração”, como o próprio pai. Mas sua canção segue até hoje e é um hino de saudade àqueles que são como pedaços de nós.
Cada vez que ouço, mesmo não tendo passado pela mesma experiência, sinto um misto de lembrança e refrigério. Dor, frenesi e vontade de continuar vivendo. Porque meu encantamento é no quanto a vida é um sonho. Um sonho diário que deve me causar espanto. Uma surpresa excitante. Por ter valor.
Nada morreu para mim ou dentro de mim. Eu só estou sentindo que o coração batendo/o pulso pulsando- ao lado do amor - é o dom mais precioso que eu poderia ter. E que estando perto ou longe, tendo vida ou tendo morte, seja o que for e venha o que vier, importa é que cada amanhecer seja aproveitado como se a noite não fosse chegar.
Quero estar perto de quem amo enquanto é tempo. E em fora de tempo, vou me lembrar que vivi sentindo a vida. Independente do próximo sol aparecer.
Documentário dirigido por Helena Solberg, discute a relação entre música e poesia no Brasil
Em um país com uma forte cultura oral como o Brasil, a música popular pode ser a grande ponte para a poesia e a literatura. Palavra (En)cantada conta com a participação de Adriana Calcanhotto, Antônio Cícero, Arnaldo Antunes, BNegão, Chico Buarque, Ferréz, Jorge Mautner, José Celso Martinez Correa, José Miguel Wisnik, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Lenine, Luiz Tatit, Maria Bethânia, Martinho da Vila, Paulo César Pinheiro, Tom Zé e Zélia Duncan.
A maioria das entrevistas foi feita em casa e alguns deles cantaram e tocaram canções especialmente para o documentário, fato que realça a atmosfera intimista do longa-metragem.
. No lugar da ventania seca e brutal que outrora me tinha acolhido, soprava uma brisa suave carregada de aromas. Um ruído semelhante ao da água vinha das alturas: era o vento passando nas florestas.
Por fim, o maior espanto foi ouvir o verdadeiro som da água correndo... Vi que tinham feito uma fonte, que a água era abundante e... o que mais me tocou: haviam plantado perto dela uma tília. Símbolo máximo do renascimento.
Compositoras, cantoras, intérpretes, atrizes e instrumentistas de várias regiões do Brasil reunidas em Pelotas para desvendar e expor a música enquanto elemento feminino, sua produção e sua relação com a natureza.
O evento contará com apresentações das artistas de fora e locais, workshops, oficinas, palestras e vivências em torno da temática Música, Mulher e Natureza.
Espaço dedicado ao compartilhamento de arte, debates, ideias e manifestações humanas.
Que a sensibilidade nos mostre a morte que temos feito de nós, humanos que somos, caçadores de esconderijos.
Que a sensibilidade nos aproxime, do nosso próprio ser, antes de mais nada.
... eu imaginei quando por trás de mim o mundo acontecia. Tão perto. Íntimo. E frio como gelo que não derrete.
As folhas estavam agitadas pelo frio seco e ensinavam um novo caminho distraído, mas inquieto. Quis voltar e partir para o inverso daquilo que planejei. Mas os planos já estavam feitos. Segui pela sonoridade que o coração insistia em lembrar. Lembrei do mundo real. Sangrento, solitário, barulhento e indiferente.
Pai, até quando vamos continuar nos enganando? As cenas estão distantes. Estragamos tudo. Deixamos para depois o que deveríamos ter vencido inicialmente. Perdemos por nossa causa. Intercalamos as atividades, jogamos para o mar a sensibilidade do nosso corpo, do nosso ser... E continuamos buscando nos encontrar. No vão da nossa alma.