domingo, 29 de maio de 2011

Piquenique na Praça da Alfândega

Amanhã, domingo (29) acontece mais uma edição do Piquenique Cultural.


Clique AQUI e confira o vídeo da entrevista que cedi ao Programa Universo In Foco sobre a participação da RádioCom como apoiadora do evento.
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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sede - Composição com Janete Flores

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Ter participado do Sarau Poético me trouxe algumas surpresas. Uma delas foi o convite da cantora e compositora Janete Flores para uma parceria a partir de um dos versos que mostrei no encontro, chamado 'A sede'.

Entreguei. Os dias passaram. E a melodia somada à composição, nasceu. Como um dia eu pensei no quanto seria interessante ter em forma de “som” algo que escrevi. Janete colocou a música e seu olhar. E essa primeira junção me encontra assim, desse jeito e de repente.

A sede se instaura na conjugação de nossa solidão. Meio tango, meio canção. Sendo escolhida para ir no próximo álbum, ainda para esse ano, nascido como “Pra ti”. Um projeto que reúne música e poesia, com a finalidade de tratar das diferenças, dos extremos e dos sentimentos, possuindo em sua essência, a dualidade do inverno e do verão, do ardente e do gelado, do mórbito e do vivo.

E das convergências que nascem dos diferentes olhares de atuação na cultura e nas relações sociais, onde a poesia e a música, unidas nesse confronto, duelo ou associação, desvelam a realidade e os mais distintos olhares e comportamentos.

[Parte do encarte do disco, por Daniel Moreira]


Sede


Tenho em mim a sede
Nem de ficar
Nem de correr
de nada
me perco
no sonho
e grito em silêncio
no meio da noite
no meu pesadelo.

Mas preciso dizer
Que hoje eu acordei

sem saber daquilo
Se era inferno eu não sei
paraíso talvez
mas era sozinho.

Era frio de inverno
ou calor de paixão
E era tão solitário

que nem havia um dragão.

Não era carnaval
Nem era “Corpus Christi”
Nem noite de Natal
Nem manhã de comício.
E essa sede não morre

Mas me faz passar mal
E eu já nem sei se o que falta a ela
é açúcar ou sal.

Hoje quando acordei
sem saber de nada,
qual caminho, se esse ou aquele,
me senti cansada.

Hoje quando acordei
meio embriagada
desejei por um breve instante
não pensar em nada.

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Enquanto o álbum ainda está em processo de gravação, conheça um pouco da artista, através do primeiro disco (Retina), com "Dá um frio, dá um nó", clicando AQUI.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Thaís Gulin


Ah, se eu soubesse nem olhava a lagoa
Não ia mais à praia
De noite não gingava a saia
Não dormia nua
Pobre de mim, sonhar contigo, jamais.

Já faz um tempo que eu ando de olhos e ouvidos atentos à música da Thaís Gulin. Descobri por acaso em uma pesquisa que estava fazendo sobre a obra do Chico Buarque e, no meio de tanta informação junta, percebo que ela é nada mais, nada menos do que a namorada do próprio (!). E aí que eu não resisti em deixar o meu grandioso Chico um pouquinho de lado para reservar um tempo na pesquisa que se deteve na música da Thaís. Acabei gostando do que ouvi.
[Um salve pro Be, que também destacou o trabalho dela no seu blog.]


Com uma trajetória crescente, Thaís saiu de Curitiba para o Rio em dedicação à música. Já colecionou parcerias com Tom Zé e Chico, recebeu músicas de Otto, Jards Macalé e Waly Salomão, tendo alcançado destaque na onda das novas cantoras da música popular brasileira.

O segundo disco ôÔÔôôÔôÔ traz um resultado maduro e com poéticas interessantes.

Quantas Bocas
Composição: Thaís Gulin, Ana Carolina e Kassin

Por onde vai se distrair na hora, hora que o amor acaba
Se eu tivesse alguma voz cantava pra você ficar aqui
Diz com quantas bocas, bocas belas, lindas, me abandonas
Te imagino rindo seduzindo alguém bem longe de mim.

Seu beijo em meu corpo, corpo nunca foi melhor que outros
Que já deixei louco roucos, roucos tontos de me amar
E na hora hora que você me procurar de novo
Talvez eu possa te querer pra sempre ou te esquecer de vez.

Meu ódio dura pouco
Meu amor também
Vai saber, se eu te encontrar
Posso te beijar
Ou nem te reconhecer.



Com Tom Zé Clique aqui.

Com Chico BuarqueClique aqui.

Composição própria: Horas Cariocas Clique aqui.

domingo, 22 de maio de 2011

Catástrofe cultural: Jornais do século XIX viram lixo em Pelotas

De acordo com a professora Beatriz Loner, há pouco mais de 15 dias, a cidade de Pelotas, que até agora tinha se caracterizado por buscar a preservação de sua história e sua cultura, foi palco de uma situação completamente absurda e injustificável: a direção de sua biblioteca pública, que é gerida por uma associação privada, simplesmente enviou para reciclagem, uma parte importante da história da cidade e da região!

Livros, jornais, diários e mais monografias e documentos impressos (não se sabe exatamente o total do que foi descartado, nem quem definiu o que seria jogado fora), mas o suficiente para encher mais de um caminhão pequeno, foi enviado para recicladores. E só não foi parar no lixo mesmo porque, num episódio rocambolesco e pouco explicado, foi “salvo” por um dono de sebo, que imediatamente o comprou e o pôs a venda como uma mercadoria qualquer. Alguns desses exemplares ainda se encontram em sebos da cidade e podem ser conferidos até pelo twitter de alguns pelotenses. Seguramente, este dono de sebo deve ter ampliado seu patrimônio em muito, devido apenas ao que, pelo alto, se soube que foi descartado.

Entre eles, por exemplo, uma das únicas, senão a única coleção do jornal A Federação do ano de 1904. Vários outros anos inteiros deste jornal também foram literalmente jogados fora, sob a justificativa de “estarem duplicados”.

Mas a catástrofe cultural vai muito além, pois todos os jornais encadernados, que eram duplos, e que se encontravam no porão da biblioteca, como os jornais Correio Mercantil, Opinião Pública, Diário Popular, também tiveram o mesmo fim. Estes são alguns dos jornais pelotenses mais importantes do XIX e XX séculos, e ficamos agora reduzidos apenas a sua coleção em uso, e cuja digitalização tem sido protelada por interferência direta da própria diretoria. E o que se fará quando estes jornais, pelo uso, se desmancharem?

O raciocínio simplista e redutor de que “eram duplos” e poderiam ser descartados, não convence ninguém, pois todos podem se perguntar por que não foram trocados com instituições congêneres, ou doados para uma outra instituição do estado, como reza seu estatuto de 1991, que em seu artigo segundo, item b, diz que a biblioteca “poderá permutar livros e objetos com outras instituições que estejam de acordo com as suas finalidades”.Quanto a alguns estarem em mau estado, ora, para quem conhece, sabe que há várias técnicas de recuperação de documentos que poderiam ser tentadas, com um pouco de esforço na busca de financiamento.

Esta lamentavel e vergonhosa informação, além de denunciar o fato, pretende provocar alguma reação, por parte não só da comunidade técnica e acadêmica interessada na preservação da história do país, mas dos próprios pelotenses, que até agora estão assistindo esta situação estupefatos, mas em silêncio. Um silêncio que pode passar por aprovação e gerar a reincidência deste tipo de atitude.

sábado, 21 de maio de 2011

Nele cabe o que não cabe na dispensa.

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Nao sei o que ou a quem agradecer pela arte existir.
Mas é bom saber que ela é eterna. É aliviador senti-la.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Palavreio – Leandro Maia


Tanto tu nimim
Não sei o que fazer
Te tento seduzir
Te tento tu trazer
Me tento te trazer
Me meto tu nimim
Me minto tu – não sei
Te tento seduzir
Eu tanto te montei
Teu manto de Turim.

Recebi na RádioCom a presença do músico e compositor Leandro Maia que lança hoje o Cd-Livro Palavreio, com apresentação no Theatro Guarany.

Entrevista realizada no Programa Navegando RádioCom:



Palavreio apresenta canção impregnada de literatura. A obra caracteriza-se como um tratado autoral em três partes sobre canção brasileira: Palavra de Papel (poemas), Palavra Dita (poemas recitados) e Canção, onde realiza o percurso da palavra falada à palavra cantada.

Dialogando com as influências de poetas, escritores e compositores como Luís de Camões, João Simões Lopes Neto, Noel Rosa, Manuel Bandeira, João Guimarães Rosa, Drummond, entre outros, Leandro Maia depura o conceito de antropofagia e tropicalismo, misturando formas eruditas e populares. Em suas canções aparecem citações de Villa-Lobos, Lennon e Mcartney, Richard Wagner, J.S. Bach, além de literatura de cordel, haikai e poesia concreta.

Esta pluralidade de manifestações culturais - que ocorre de forma orgânica e bem articulada - condiz com o próprio fenômeno da canção brasileira: híbrida e bela, mestiça e única, sofisticada e simples. O trabalho também rendeu a Leandro o Prêmio Açorianos de Música na categoria Revelação.

Palavreio tem a produção musical de Pedrinho Figueiredo e ilustrações do músico e artista plástico Jorge Herrmann. O disco conta com diversas participações especiais, como Hique Gomez, Luciano Maia e Ernesto Fagundes, além de trazer a sonoridade de mais de 20 músicos do Rio Grande do Sul.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Symmetry



Incrível, simples e assustador como a vida.