sábado, 9 de julho de 2011

Eder, meu irmão, meu amigo


Hoje te recebemos aqui em casa, depois de tantos meses sem te ver.
Essa coisa de distância me aperta o peito, mano. Sinto saudade de ouvir a tua voz por essas paredes aqui de casa. O som da tua música que sempre esteve presente, hoje expressa uma falta que silencia o ar. Mas a tua presença sempre tão próxima, tão perto – mesmo que de lá, ainda está aqui.

E hoje, eu, a mãe, o pai, o Gi e o Jimi temos tua presença no nosso pátio, nas peças, pela casa. Hoje ouço de novo tua voz. Tenho tua batida na porta do meu quarto. E quero ouvir a música, quero te ver.

Te abraçaremos de novo e com vontade, por mais um ano.

Se eu tiver que desejar algo, desejarei vida.
Pra que possamos viver juntos ainda
por muito tempo.
Que venham outros aniversários, com abraços.

Com todo amor,
Tua irmã.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Escuros

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As cores desta cidade estão desnudas de luz
As poucas luzes desta cidade estão vãs
O vão da noite está comigo
E caminho pelas ruas
Sentindo fome do que não vivo.

As ruas desta cidade estão estúpidas
Os estúpidos estão indiferentes
E a indiferença não é vã
E não sente fome de nada.

As misérias desta cidade estão vivas
E a morte que vem de dentro está acesa
E pesa como a gravidade do suicídio vivo
Dos que apagaram suas velas.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Cujo peso nos oprime

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Aqui mora o analfabetismo. Não é nas residências arejadas,
nos edifícios de cimento e vidro...

Leon Hirszman, um dos dos expoentes do Cinema Novo e um dos documentaristas mais revolucionários que o Brasil já teve, é autor da trilogia Cantos de Trabalho (1975-1976 ), Nelson Cavaquinho (1968), ABC da Greve (1979-1990), Pedreira de São Diogo de Cinco Vezes Favela (1961), Que País É Este? (1977) e outras intensas produções.

Hoje é destacado neste espaço o documentário Maioria Absoluta (1964), o qual busca retratar o cotidiano de trabalhadores rurais analfabetos do Nordeste. Incapazes de escrever, são, no entanto, conscientes de sua condição e perfeitamente habilitados a propor as soluções que esperam para os seus problemas.



... Não é nas grandes cidades que ele viceja.
É nas palhoças de chão úmido, nas casas de taipa, nos barracos de lata.
Esta é a sua casa, sob esse teto de palha, neste chão de terra batida,
entre estas paredes em ruína ,o analfabetismo se refugia e prolifera.

Da penumbra ele estreita suas vitimas, como a doença de chagas, a verminose e a fome.


domingo, 3 de julho de 2011

Comunicação, Política e Sociedade: protagonismo como instrumento de luta



No próximo dia 5, a programação da RádioCom terá a versão – ao vivo – do Cepos Debates, um espaço de discussão, promovido pelo Grupo de Pesquisa Cepos, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos.

Na oportunidade, serão discutidos os desafios que estão sendo postos hoje à comunicação comunitária, contando com a participação do público para realização do debate.

Com a mediação de Ediane Oliveira, o programa Navegando RádioCom terá a participação do cientista político Bruno de Lima Rocha e do professor Valério Cruz Brittos.

sábado, 2 de julho de 2011

Notas sobre minha mãe - Opus 2

A nova criação da bailarina e musicista Paula Pi, parte de um desejo: como dançar a musicalidade incrustada em seu corpo de musicista? Em busca desse "som que move" e de como o pensamento musical pode ser provocação para a criação coreográfica, ela retoma um tema que vem pesquisando desde 2007, a relação mãe e filha, revelada desta vez pelo diálogo intérprete, violino e elementos do universo musical.

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Não mais está

no mesmo lugar

o céu.

Me invadiu

(e trouxe flores brancas).

Pediu para eu lhe falar

que a chuva

vai cair

em cima da sua cabeça

como gotas de alma nua.

Serenas como o azul que o cerca.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Do álbum Lilás

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Ontem, eu fiquei horas esquecidas assistindo ao trabalho das formigas, indiferentes a tudo, na sua meta de construir. E aprendi o quanto é importante fazer... Fazer sempre e de tudo para alcançar os galhos mais altos da árvore da vida e melhor se alimentar do fruto ali quase esquecido: a paz.
Oh, Deus! Torna-me indiferente a tudo que não seja construir com meu trabalho um mundo novo, onde só pessoas, bichos e coisas existam porque amam e entendem o amor como único sentido da vida.


* Crédito a Valder Valeirão, pelo compartilhamento das palavras que Djavan traz na arte de Lilás.