segunda-feira, 9 de maio de 2011

Ainda é tarde

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O novo é relativo quando penso no velho
O velho é novo
porque a novidade
é também
repetição
de alguma coisa
que, em algum canto desta terra
já aconteceu, aconteceu.

E se o novo é novo pra mim
Pro outro já não é mais.

Eu gosto do velho porque vivo de lembranças
que vêm
que crio
que matam
maltratam
que alimento
que destruo
em distúrbio
insensato

por talvez nem ter vivido.

sábado, 7 de maio de 2011

Paz e Penúria

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Por fim, a melodia penetrou surreal como um raio
e concreta como se carregasse consigo uma ponta farpada.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A função da arte

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Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
- Me ajuda a olhar.

[Extraído de "O Livro Dos Abraços", de Eduardo Galeano]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Rataplã insonoro

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Pedi licença à melodia que pulsava como vulcão dentro de mim. Desliguei-a. Silenciei-me. E ouvi aquele zunido estridente numa onomatopeia inquietante. Estou buscando o silêncio ainda, doce como meu sangue latejante de um pouco de dor. A pureza também está na melancolia. E eu hoje estou tão cansada. Queria o céu. E um misto de dedilhados suaves em minha cabeça com sussurros de boa noite.

Sobre a Conferência Cultura Para o Rio Grande Crescer


Para falar da Conferência Estadual de Cultura, dois sentimentos sobressaem em mim. O primeiro é de decepção com a falta de apoio e incentivo da Secretaria de Cultura da minha cidade. E o segundo é de esperança que tudo o que foi falado, discutido e sistematizado em Santa Maria, possa ser, finalmente, concretizado, gradativamente, sem apenas ficar no papel e na memória daqueles que discutiram e/ou que buscam mudanças.

Como explicar que, uma cidade como Pelotas, em que a produção cultural tem crescido e alguns ativistas têm buscado uma unificação de forças para ver o negócio acontecer, obteve uma representação baixíssima, quase unitária em uma conferência importante de encaminhamentos e diálogos relacionados às políticas culturais no Rio Grande do Sul?

Àqueles que não estavam por dentro do processo: Pelotas iria com um ônibus, cedido pela Secult, para levar as matrizes decididas no Diálogos Culturais, pré encontro que funcionou como etapa regional, acontecido na Câmara dos Vereadores, no último dia 23.

E o que aconteceu? Pelotas não foi. Nos 45 do segundo tempo, eu recebo a informação, através de minha própria ilusão em me dirigir ao local combinado para a ida. Sem ônibus. Sem pessoas. Secretaria sem respostas. Acabei arcando com minha viagem, minha hospedagem e presença na Conferência – sem representação pelotense comigo. E aí preciso declarar minha grande insatisfação e repúdio à desorganização e ausência de atenção do governo municipal ao debate da cultura. Lamentável.

Foi revigorante ver companheiros da região sul lá presentes, entretanto, causa um certo desconforto e esmorecimento ver minha cidade – que é tão grande e merece destacar tantas reivindicações a partir de sua atual realidade – ausente nas discussões. Mas ok, eu estava lá e não quero, de forma alguma, desmerecer meu esforço e minha presença. Entretanto, mesmo que eu discorde do ditado de que “uma andorinha não faz verão”, (ela pode fazer sim!) Preciso dizer que, ainda assim, senti falta de pessoas que poderiam estar presentes nessa etapa em que o estado caminha para uma nova visão de enxergar os processos e as potencialidades culturais.

Foi um evento de fôlego, com representações do Conselho Estadual de Cultura, de deputados estaduais, federais, MinC e governo do Estado. E é notório que necessitamos avançar nas políticas públicas – atualmente atrasadas e um tanto estagnadas, mas com anseios de novos caminhos e avanços.

A democratização que envolve princípios de cidadania para uma sociedade que deve buscar um sistema mais justo das manifestações populares, também foi pauta, já no primeiro dia, o que me deixou com os olhos vivos, buscando, no final, um depoimento do Secretário de Estado da Cultura, Assis Brasil, sobretudo a esse tema. Segundo ele, a ação de buscar não limitar o acesso, mas aumentar a participação e consolidar a profunda interação entre sociedade e estado é a forma mais forte de conscientizar a cidadania que traz desenvolvimento. Vamos torcer para que – de fato – nosso governo venha a enxergar as camadas populares como potencialidades culturais e que haja inclusão social e valorização, acima de tudo.

O segundo dia foi marcado por debates e participação de plenárias para a construção da base do Plano Estadual de Cultura com a criação dos Colegiados Setoriais, uma das grandes apostas do evento. A busca por uma relação mais direta com participação maior de entidades e adaptações às diferentes vertentes que a cultura agrega. Além disso, a burocratização e a dificuldade dos processos de editais para a produção cultural, também foi vista como um pedido de cursos de gestão cultural. O que na minha opinião, é de extrema importância, pois falta capacitação para agentes, a partir da realidade de que sobra verba para editais que não são liberados "por causa do amadorismo nas inscriçoes". A burocracia não pode e não deve vencer as ações práticas. Que haja capacitação!

Com tema na Cidadania Cultutal, a coordenadora da Jornada de Literatura de Passo Fundo, Tani Rösing, abordou uma questão interessante que é o uso da tecnologia como forte instrumento da cultura e inclusão cidadã. Na busca de conhecimentos da cadeia produtiva do setor cultural, houve o debate sobre a economia da cultura em que o professor de economia da UFRGS Leandro Valiati destacou como ferramenta estratégica na atuação e no desenvolvimento, vendo a cultura como fonte de renda, diminuição do desemprego e construtora social.

A entrada de muitos novos pontos de cultura no nosso estado é algo que há de se reconhecer, diante de um processo em que vínhamos tendo nos últimos anos, com cortes e muito descaso com os resgates que os pontos e outras ações podem desenvolver conhecimento e transformações. Foi interessante ver que nosso estado foi contemplado com diferentes novos polos, com uma diversidade necessária.

Que venham boas novas a partir de então.
Que nosso Rio Grande do Sul tenha uma cara menos cinzenta,
mas mais viva, como sua história deve ser.

Um salve às manifestações culturais!

terça-feira, 3 de maio de 2011

domingo, 1 de maio de 2011

Longa vida ao Sarau


"nada rima com nada
mesmo assim eu publico
apesar da incerteza
nem assim eu desisto
e apesar dos pesares, eu sonho contigo
e apesar dos altares, sempre me intimido..."

[Versos - Janete Flores]


Me trouxe honra o convite para participar da X edição do Sarau Poético Musical.
Registro meu carinho e meu apoio à equipe que tem se empenhado em tornar o projeto cada vez mais vivo, integrando diferentes pessoas que possuem - de alguma maneira - uma relação passional ou profissional com a arte.

Perceber que parte do início do projeto teve inspiração em um espaço reservado para a literatura no Programa Navegando RádioCom, lá, há anos atrás, me passa uma sensação de "valeu a pena" começar algo involuntariamente sem ter noção do alcance e de pessoas esforçadas que espontaneamente se uniram para tornar a arte mais viva e inclusiva nessa cidade.

Hoje vendo o Sarau com sua peculiar identidade, caminhando e sendo expressado como um passo de expansão, externidade e agregação, me faz declarar a competência de Daniel Moreira e sua equipe. Longa vida, companheiros, longa vida!


Nessa penúltima edição [antecedendo o aniversário de 1 ano de Sarau], tive ao meu lado Gustavo Arruda, Luis Felipe Ribeiro e a compositora, cantora e artista plástica Janete Flores.

Com destaque ao escritor Esteban Echeverría, Sergio Christino, com grande propriedade, trouxe conhecimentos do autor, destacando o conto "El Matadero", apontado por muitos, como o primeiro conto genuinamente argentino.

" Segundo as normas da Teoria literária, outros alegam não ser a primeira prosa argentina porque só foi publicado postumamente, em 1871 ( por Juan María Gutiérres, amigo do poeta), embora seja incontestável que Echeverría escreveu El Matadero quase uma década antes da publicação do Facundo, civilização e barbárie, em 1845, de Sarmiento, esta obra que é tida como a inaugural da prosa argentina. Ainda do ponto de vista do estilo literário, El Matadero vai erigir outra esfinge; embora Esteban Echeverría seja tido como o primeiro poeta romântico argentino, esta peça pode ser vista como prenunciadora do realismo, até mesmo avant la lettre de um realismo naturalista de um Emile Zola (1840-1902). Muito bem, mas o aspecto mítico que se quer aqui destacar é o de ter tratado, mediante um discurso estético espetacular, a questão do par a barbárie X civilização, que permeia toda a história política argentina, que, como se sabe, é marcada pela oposição entre federalistas e unitários. Argentina recém liberta do jugo colonial espanhol, qual seria sua nova condição política. "

Leia na íntegra o que Sergio Christino contextualizou,
AQUI:


[Convidados e organização do Sarau]