Com lembrança aos clássicos de mais de duas décadas de história, juntamente com o lançamento do single “Novo estilo” e nostálgico tributo aos Cascavelletes, a consagrada banda Rosa Tattooada, esteve presente na última quarta-feira (6), em Pelotas.
Escolhida pela etapa Pelotas do Good Music Rock Festival - prêmio que aposta em novidades do rock gaúcho-, a banda, após a apresentação de músicos pelotenses classificados, tocou por mais de duas horas com um show irreverente e visceral, digno do rock’n roll.
De acordo com a coordenação estadual do festival, a escolha da Rosa Tattooada como banda oficial do evento, teve total sintonia com a proposta do concurso: “valorizar fortemente o rock de qualidade que tem sido feito no Brasil”.
A banda esteve presente na RádioCom em um papo livre e muito interessante sobre música, no programa Navegando.
Na foto, o produtor da banda: Vini, ao lado de Barea (bateria), Valdi (baixo), Ediane Oliveira, Jacques Maciel (vocal/guitarra) e Juliano Lima.
A eleição presidencial teve todos os lances mesmo de pleito para prefeito dos grotões do interior, não somente no tipo de promessas feitas, mas na baixaria que correu solta na mídia e na globoesfera em termos de ataques pessoais, calúnias morais e demonização religiosa. Esse é um aspecto decepcionante, e indica quão longe o Brasil se encontra ainda de uma democracia consolidada. Tivemos um “reavivamento” da satanização das eleições de 1989 e de 1994, apenas trocando de “diabo” (onde se lia Lula, leia-se: Dilma).
As invencionices mirabolantes no plano moral e no plano religioso indicam a pobreza da ausência de partidos fortes, ideologias nítidas e programas claros e objetivos para o julgamento dos eleitores, que é o que, no fundo, interessa para uma boa gestão da coisa pública, para a afirmação da cidadania e para a promoção do bem-comum.
O mais lastimável foi ver o papelão de muitos evangélicos envolvidos nessas demonstrações de subdesenvolvimento político. As igrejas históricas, retraídas, já foram, no passado recente, submetidas a uma “amnésia compulsória” quanto ao pensamento e a ação desenvolvida no passado em nosso País, com exemplos notáveis de uma minoria discriminada com uma presença significativa.
Muitas dessas igrejas sofreram influência nas últimas décadas do fundamentalismo e a importação da polarização norte-americana. Os pentecostais saíram do gueto e da aversão à política para uma presença desordenada e pragmática, sem uma reflexão teológica adequada, e ainda obstaculados por sua escatologia pessimista, não conseguindo superar o corporativismo clientelista, apanágio generalizado de seus concorrentes neo(pseudo)pentecostais.
Com uma cultura política limitada, muitos evangélicos, de diversas denominações, foram presas fáceis e massa de manobra para políticos espertalhões (e líderes religiosos comprometidos com essa experteza). O resultado, em termos do que circulou, principalmente pela internet, foi vergonhoso. Uma coisa é certa: a comunidade evangélica se apequenou nesse pleito e saiu arranhada em sua imagem e credibilidade.
É hora de saco e cinza, de autocrítica, de arrependimento, de iluminação do pensamento pelo Espírito da Verdade, para que, nas futuras eleições, nosso quantitativo se relacione com o qualitativo, e possamos dar um testemunho maduro, que concorra para o bem da Pátria. E que essas “guerras (nada) santas” sejam apenas uma lamentável página do passado a ser esquecida.
[Por Robinson Cavalcanti, publicado originalmente no PavaBlog] .
Como qualquer pessoa, tenho minhas razões e minha visão a respeito da realidade em que a igreja se encontra. Não posso - e não vou conviver com quaisquer verdades que sejam estranhas a minha consciência. Escolho lutar contra toda e qualquer alienação para que meu coração não se atrofie. Está doendo.
Estou cansada como cidadã e como representante de um estilo de vida firmado em um cristianismo libertador - totalmente oposto ao que lamentavelmente encontro no discurso e no declínio do entendimento, os quais deveriam expressar e viver transformações dignas de um progresso. Engana-se muito quem pensa no cristianismo como religião. Estou falando de plenitude. De algo totalmente diferente aos dogmas escravistas.
Acontece que tudo se inverteu. Ao menos, em sua grande maioria. O que é uma intensa pena. Mas ainda há chance para aqueles que se posicionam contra o sistema fundado no corporativismo capitalista, tão distante do interior restaurado, limpo e reformista. Tão longe e antagônico ao distanciamento necessário à religiosidade. Impregnada. E crucial.
Minha firmeza está na revolução do amor. Aquela que desafia meu ser a "não buscar apenas os meus interesses, não folgar com a injustiça, mas sim com a verdade"; a não ser apenas como "o metal que soa ou como o sino que tine" e a não me "conformar com este mundo, mas me transformar pela renovação do meu entendimento". Todos os dias. Incansavelmente.
Já está na hora do conservadorismo abrir as comportas para a luz do conhecimento e, se pensar em voltar os seus olhos para a política, que reveja conceitos (se é que eles realmente existem) e lembre de pessoas e influências do mesmo (?) - deveria ser - meio que não envergonharam a sociedade, mas buscaram a paz, acima de tudo. Legado que todo o cidadão deveria ter.
Martin Luther King buscou. Além de se tornar a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1964, levantou-se contra a violência e a desigualdade racial durante grande parte de sua história. De tantos exemplos desinteressantes e dominantes que o Brasil copia dos Estados Unidos - e agora quero me referir ao movimento evangélico, tão influenciado pelas coisas "de fora", vale lembrar e se atentar para King, que não somente se diferenciou dessa onda escandalizadora, como conviveu com os mais diversos povos, tendo a bandeira do "amor" em seus discursos e ações. Ele se destacou por sonhar com um mundo melhor e mais questionador.
Buscou um mundo que fosse protestante no verdadeiro, melhor e despreconceituoso sentido da palavra.
Faltando pouco mais de 24 horas para as eleições, o Brasil vive um momento marcante em sua história política e peculiar em seu contexto presidencial.
Nada tão diferente como em outros momentos. Campanhas, debates, fraudes, sensacionalismos, politicagens, planos, estranhamentos, coligações, decepções, questionamentos, alertas, constâncias, respostas, esperança. Nos últimos meses, essas palavras e sentimentos vieram mais à tona e fizeram parte da vivência de cada brasileiro.
Sensações ainda embrulham no coração daqueles que, visceralmente sentem em suas entranhas uma paixão, um desejo, uma vontade de um mundo melhor. Aqueles flashes de bandeiras nas ruas, de movimentos de décadas atrás, rompimentos, dores e de protestos em preto e branco com sangue vermelho. Esqueça a ‘falta de causa’. Estou falando de verdade. De algo que ainda não sei explicar, mas me emociono em sentir. Não venha com realismos tão pessimistas argumentando o contexto atual. Eu percebo o conformismo que partidos - outrora tão representativos de ideais - tornaram-se com o tempo e com as circunstâncias. Também lamento a despoliticagem tão presente em grande parte da nossa gente e estou ciente da alienação gritante e injusta expressa propositalmente nas linhas das palavras de grande parte da mídia que contraria o sentimento reformista. Mas ainda lembro. Ainda sonho. Deixe-me dizer.
De cada detalhe acompanhado nessas últimas eleições, vi o que já esperava. Tentativas esdrúxulas de golpe da ‘famosa imprensa’ representando seus interesses econômicos e políticos. Envergonhei-me com movimentos desesperadores da igreja tentando, a todo custo, satanizar partidos, em detrimentos de outros candidatos. Em um mundo perdido e sedento por paz de Deus, a vi de olhos fechados quanto a isso. Estagnada. Pudera ser diferente. Deveria voltar e finalmente fazer a revolução do amor. Não da guerra. Não assim.
Cansei de apagar, exaustivamente da minha caixa de e-mails, correntes em massa ‘sem pé e sem cabeça’ de mensagens assustadoras e mentirosas. Busquei respostas concretas para a alienação, o regresso e o declínio da opinião pública, em tantos casos que presenciei, li e assisti. Entristecida, vi que não me encontrava sozinha. Mais aliviada, percebi que ainda existiam pessoas ao meu lado que entendiam meu lamento.
Por esse caminho, encontrei sonhadores. Aqueles que, assim como eu, não viveram tempos políticos verdadeiramente difíceis, mas que não raro, podem ser chamados de esperançosos. Encontrei também os que foram para o exílio, viveram na batalha, perderam muitas coisas, mas ganharam mais vida. Ambos sonhavam. E isso me bastou.
De tanto lamento, algumas coisas me sensibilizaram positivamente nesse período de eleições. Delas destaco depoimentos de um presidente, que, ainda com suas contradições e críticas, me faz ter orgulho em dizer que faço parte da geração que presenciou seu mandato. Luiz Inácio Lula da Silva tem dado diversas declarações, no mínimo, emocionantes e ainda mais polêmicas, nos últimos tempos. Com os nervos à flor da pele, em um momento em que é apedrejado por um lado e respeitado por outro, durante uma de suas últimas entrevistas como Presidente da República, Lula chorou. Chorou por lembrar o antes e o que pôde viver durante esses anos. Chorou por ter sonhado.
Plínio de Arruda Sampaio, com uma trajetória absolutamente impactante na militância política, tem sido visto como o stand-up comedy dos candidatos à Presidência. Tudo isso por comediar seus argumentos e seus apontamentos às políticas de governo, além de ser o único a se diferenciar espontaneamente em seus discursos. Dentre controvérsias existidas e até mesmo críticas alheias no decorrer de sua postura como candidato, em suas considerações finais no último debate televisivo, Plínio se dirigiu, com emoção e preocupação à juventude brasileira. Um misto de angústia, força e intensidade em sua fala, mostra claramente a sua paixão pelo engajamento do jovem na militância. Coisas que ele também sonhou.
Banksy é um artista inglês, reconhecido por seu trabalho que expressa protesto, reflexão e liberdades de manifestações artísticas e sociais.
Com obras em stencil espalhadas e produzidas pelas ruas, sua identidade particular e misteriosa manifesta contravenções que provocam críticas a comportamentos, celebridades, paralelismos da sociedade e regimes políticos autoritários.
Ele, inclusive, é o autor da imagem de layout deste blog [ainda que possua uma breve adaptação minha no design] e inspiração na estética de alguns projetos que pretendo colocar em prática em um 'futuro não tão distante'.
Ainda que não cause nenhum espanto, a declaração dos dois grandes jornais, às vésperas das eleições, finalmente mostrou suas opiniões de forma mais explícita e agora, oficial
Em editoriais nas edições do último domingo (26), os jornais Folha de S.Paulo e O Estadão se posicionaram a respeito da sucessão presidencial no País. Por mais claro que já pudesse estar cada afinidade política dos veículos, o fato é que: não fossem as críticas à imprensa feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos últimos dias expressando sua real desmotivação com a realidade monopolista e partidária da mídia convencional, talvez o Brasil não teria acesso a tanto disparo dos jornais, agora declarados, em seus editoriais, com palavras carregadas de repúdio ao mandato de Lula.
O Estadão declarou apoio ao candidato do PSDB à presidência da República, José Serra. A Folha criticou o presidente Lula e a "candidata oficial", Dilma Rousseff, do PT, e disse procurar manter uma orientação de "independência, pluralidade e apartidarismo editoriais".
Os dois jornais manifestaram oficialmente sua posição três dias depois de o presidente Lula afirmar, em entrevista exclusiva ao Terra, que a comunicação no País "é dominada por nove ou dez famílias" e que a imprensa "tem candidato e partido". Lula afirmou que os meios de comunicação deveriam manifestar claramente sua posição, em vez de defenderem "uma neutralidade disfarçada".
De acordo com Marcelo S. Duarte, do La Vieja Bruja, o“Editorial que poderia ter entrado para a história recente da democracia brasileira como exemplo de amadurecimento da liberdade de expressão, respeito ao processo eleitoral e à cidadania, acabou revelando todo o ódio de classe que a elite paulista nutre pelo projeto político petista para o Brasil.”
Contudo, o Brasil se encontra em mais um momento histórico de sua democracia e contexto da atual realidade que a mídia se encontra. Cada dia que se aproxima do esperado e temido 3 de outubro, faz com que uma 'surpresa já esperada' venha a tona e marque, para sempre, -ao menos na memória daqueles que buscam uma reflexão maior- a política, no País. A parcialidade de ideias e posições declaradas faz com que mais visivelmente percebamos a cara editorial dos veículos mais representativos, através de sua notoriedade, em distribuição e até mesmo em influência na opinião pública.
Nobre e justo se declarar, indiscutivelmente. Expressa coerência com a liberdade de imprensa e clareza de posições. Entretanto, estúpido usar o desconhecimento e a invisibilidade a questões que, ainda com altos e baixos, mudaram progressivamente a realidade de um País. Não é necessário voltar muito ao tempo e lembrar que antigamente, através de governos mais elitistas, o Brasil encontrava-se à margem de uma constante estagnação econômica e num declínio da manifestação da cidadania entre os nossos brasileiros.
Espaço dedicado ao compartilhamento de arte, debates, ideias e manifestações humanas.
Que a sensibilidade nos mostre a morte que temos feito de nós, humanos que somos, caçadores de esconderijos.
Que a sensibilidade nos aproxime, do nosso próprio ser, antes de mais nada.
... eu imaginei quando por trás de mim o mundo acontecia. Tão perto. Íntimo. E frio como gelo que não derrete.
As folhas estavam agitadas pelo frio seco e ensinavam um novo caminho distraído, mas inquieto. Quis voltar e partir para o inverso daquilo que planejei. Mas os planos já estavam feitos. Segui pela sonoridade que o coração insistia em lembrar. Lembrei do mundo real. Sangrento, solitário, barulhento e indiferente.
Pai, até quando vamos continuar nos enganando? As cenas estão distantes. Estragamos tudo. Deixamos para depois o que deveríamos ter vencido inicialmente. Perdemos por nossa causa. Intercalamos as atividades, jogamos para o mar a sensibilidade do nosso corpo, do nosso ser... E continuamos buscando nos encontrar. No vão da nossa alma.